Antes de qualquer coisa, um recado para quem acha o assunto novidade: extraterrestre na Chapada é conversa antiga. Morro do Chapéu, por exemplo, colecionou tantos relatos de luzes e objetos no céu que virou conhecida como “a capital dos discos voadores”. Ou seja: se os ETs realmente escolhem lugares para passar as férias, boa parte deles teria carimbado o passaporte por aqui.
A pergunta que fica não é bem se eles vêm, porque os ufólogos garantem que sim. É quem são esses visitantes. Que aparência têm? Como se comportam? E, principalmente, o que querem com o nosso pedaço de paraíso? Reunimos três das “espécies” mais citadas na literatura ufológica da região. Aperte o cinto (e desconfie na medida certa).
1. Reptilianos: os lagartos de plantão
Comecemos pelos mais famosos. Como o nome entrega, os reptilianos teriam aparência de lagarto e, na descrição dos estudiosos, uma reputação à altura: seres que se infiltram em governos, controlam mentes e nutrem planos nada amigáveis para a humanidade.
No livro A Intervenção Extraterrestre e a Ascensão Humana, o ufólogo Paulo Gusmão conta que ele e outros moradores do Vale do Capão teriam avistado reptilianos na Chapada em várias ocasiões. Numa delas, o autor descreve criaturas de cerca de dois metros de altura, com a cabeça mais comprida que a nossa e olhos grandes.
Mas o detalhe que mais alimenta a imaginação é geográfico. Segundo Gusmão, esses seres apreciam construir cidades subterrâneas e manteriam uma base escondida no subsolo do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Objetos estranhos sobrevoariam as serras do Vale do Capão e sumiriam justamente perto da Cachoeira do 21, que, na conta do ufólogo, seria nada menos que um portal para essas bases subterrâneas.
Da próxima vez que você fizer aquela trilha, fica a dúvida: é o cansaço da subida ou tem alguém observando lá de baixo?
2. Draconianos: os “primos” que a Chapada acalmou
A segunda raça a dar as caras por aqui é a dos draconianos, em geral tratados como uma versão turbinada dos reptilianos, com os mesmos planos opressores para os terráqueos. Só que, curiosamente, há quem diga que os draconianos da Chapada seriam bem menos hostis que os avistados mundo afora.
Coincidência? Ou será que a nossa região, com tanta serra, silêncio e água, conseguiu domesticar até raça alienígena?
Quem defende a versão pacífica é Hélio Nunes de Camargo, fundador do Centro Ufológico da Chapada Diamantina. Em UFO na Chapada, ele afirma que pesquisadores como Rodrigo Romo teriam identificado draconianos agindo em paz por aqui. E não é de hoje: a permanência deles na região seria de mais de 700 milhões de anos. A missão, segundo o autor, teria um tom quase professoral: ampliar a consciência humana e preparar o terreno para que naves de outras espécies possam visitar a Terra sem levar susto (nem tiro) dos militares.
O tamanho da encomenda combina com o tamanho do bicho. Num artigo da revista UFO, o ufólogo americano Alex Collier sustenta que os draconianos vêm do sistema estelar Alfa Draconis, a 215 anos-luz da Terra, e que podem passar dos seis metros de altura, com asas, talento para o combate e poderes psíquicos suficientes para controlar não só humanos, mas outras raças alienígenas, como os greys.
E não, antes que você pergunte: não estamos falando daquele Grey de cinquenta tons. Esse aí fica para outra matéria.
3. Greys: os ETs mais “populares” do universo
Fechando o trio, chegamos justamente aos greys, o terceiro tipo de ET que, segundo os relatos, visita a Chapada. E aqui vale um dado curioso: em Guia da Tipologia Extraterrestre, o ufólogo Thiago Luiz Ticchetti afirma que os greys são a raça alienígena mais comum que existe. Se ET fosse fila de banco, eles seriam a maioria dos clientes.
Comuns, porém nem por isso simpáticos. Paulo Gusmão, que diz ter tido contato com eles inúmeras vezes na região, não guarda boas recordações. Na descrição do pesquisador, os greys se fingem de bonzinhos para enganar as pessoas, teriam interesse em “sugar energias” e apareceriam envolvidos em seitas destrutivas. Alguns chegariam a atuar em câmaras de tortura localizadas em outras dimensões. Ninguém disse que o universo era um lugar hospitaleiro.
Já a fisionomia é aquela que você provavelmente desenharia de olhos fechados: cerca de um metro e meio de altura, pele cinza e pálida, cabeça maior que o corpo, olhos negros e sem pupila. Não têm nariz, exibem uma boca fina e pequena, braços compridos e magros e mãos de apenas três dedos. É, basicamente, o rosto que estampa camiseta, chaveiro e adesivo de carro no mundo inteiro.
E então: você olharia duas vezes para o céu da Chapada?
Reptilianos escondidos em cavernas, draconianos milenares em missão de paz e greys de mãos com três dedos: o cardápio de visitantes que a ufologia atribui à Chapada Diamantina é, no mínimo, generoso. Nada disso, é claro, passou pelo crivo da ciência. São relatos, livros e depoimentos de pesquisadores da área, e cabe a cada leitor decidir onde termina o mistério e começa a boa e velha imaginação humana.
Mas convenhamos: entre acreditar em bases subterrâneas e apenas apreciar um céu que, de tão limpo e estrelado, parece mesmo capaz de atrair vizinhos de outras galáxias, a segunda opção já vale a viagem. Da próxima vez que a noite cair sobre Lençóis ou Morro do Chapéu, dê uma olhadinha para cima. Se uma luz misteriosa piscar e sumir, pode ser satélite, pode ser avião…
…ou pode ser só mais um turista chegando de muito, muito longe.
Fontes: livros A Intervenção Extraterrestre e a Ascensão Humana, de Paulo Gusmão; UFO na Chapada, de Hélio Nunes de Camargo (Centro Ufológico da Chapada Diamantina); Guia da Tipologia Extraterrestre, de Thiago Luiz Ticchetti; e revista UFO (artigo de Alex Collier).
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