No século 19, os garimpeiros que subiam a serra atrás de diamantes armavam tendas de lona nas margens do rio. Vistas de longe, balançando ao vento, as barracas brancas lembravam lençóis estendidos, e o apelido acabou virando nome de cidade. Essa Lençóis, herdeira do ciclo do diamante, recebe hoje boa parte de quem chega à Chapada Diamantina pela primeira vez.
A cidade acumula dois papéis de difícil convivência. De um lado, entrega o conforto urbano que tranquiliza o visitante: hospedagem de vários preços, restaurantes variados, corpo de bombeiros e um aeroporto por perto. De outro, guarda cachoeiras, poços e piscinas naturais a poucos minutos de caminhada do centro. Para quem não abre mão do banho de cachoeira, mas também prefere dormir perto de uma farmácia, a cidade resolve o impasse. Não à toa, costuma encabeçar a lista de quem monta a primeira viagem à região.
Do garimpo ao casario
Lençóis cresceu com o diamante. As casas coloridas do centro, boa parte do século 19, guardam a memória do período em que a cidade concentrava a riqueza da região. Foi ali que nasceu o escritor Afrânio Peixoto, cujo nome ajudou a levar Lençóis para a literatura brasileira. Hoje o centro histórico divide espaço com a rotina de uma cidade que vive do turismo, e segue como ponto de encontro de quem chega e de quem parte para as trilhas.
Como chegar e o que esperar da estrutura
Lençóis fica a 430 quilômetros de Salvador. Quem prefere encurtar a estrada conta com o Aeroporto Horácio de Matos, no distrito de Tanquinho, que opera voos nacionais. A estrutura costuma surpreender quem imaginava um vilarejo isolado: além do corpo de bombeiros, a cidade fica perto do Hospital Regional da Chapada e reúne milhares de leitos entre hotéis, pousadas e albergues, do mais simples ao mais requintado. Na hora da refeição, o cardápio vai da comida japonesa às massas italianas, passa pelos pratos árabes e baianos e chega às iguarias da própria Chapada. O iChapada reuniu a lista completa de restaurantes de Lençóis.
As cachoeiras coladas na cidade
O que mais encanta em Lençóis são os atrativos naturais grudados no perímetro urbano. O Parque Municipal da Muritiba começa a 15 minutos de caminhada do centro. Lá dentro, o Serrano alinha piscinas naturais que o tempo escavou em rochas coloridas, e o Salão de Areias esconde passagens estreitas entre pedras e areias de tons variados. Para o banho, a Cachoeirinha recebe bem quem viaja com crianças, e o roteiro ainda inclui o Poço Halley e a Cachoeira da Primavera.
Nos arredores, quedas de até 80 metros
Fora do Parque da Muritiba, os arredores guardam quedas maiores. A Cachoeira do Mosquito despenca de 70 metros, enquanto a do Mixila chega aos 80. Já a Cachoeira do Sossego cobra o seu preço: a trilha pedregosa pede disposição e calçado firme. No rio Mucugezinho, vários poços convidam ao banho, com destaque para o Poço do Diabo e sua queda larga de 20 metros, onde ainda dá para encarar rapel e tirolesa. Perto dali, o Ribeirão do Meio virou parada quase obrigatória por causa do escorregador natural, um tobogã de rocha que a água foi polindo ao longo do tempo.
Quadriciclo, balão e o pantanal baiano
A cidade também abre espaço para outro tipo de aventura. Há passeios de quadriciclo pelas trilhas, voos de balão sobre a serra e a travessia de barco pelo Marimbus, área alagada apelidada de pantanal da Chapada, com fauna e vegetação que destoam do sertão ao redor.
Base para o resto da Chapada
Lençóis ainda serve de ponto de partida para os cartões-postais mais visitados da região. O Morro do Pai Inácio fica a cerca de 30 minutos de carro. A Fazenda Pratinha, com grutas e água transparente, está a uma hora. E o Vale do Capão, no distrito de Caeté-Açu, em Palmeiras, a uma hora e meia. Quem se hospeda na cidade consegue montar roteiros de bate e volta sem trocar de mala de lugar todo dia.
Uma lembrança para levar na volta
Depois das trilhas, a Rua das Pedras concentra parte do comércio do centro. Ali fica o Empório Chapada Diamantina, loja que reúne produtos criados em Lençóis e em outras cidades da região: camisas com estampas inspiradas na paisagem local, peças de artesanato e iguarias produzidas na Chapada. Uma boa parada para quem quer voltar com uma lembrança da viagem na bagagem.
Veja este conteúdo em vídeo:





