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Ósnis: há discos voadores no fundo das águas da Chapada?

Esqueça o céu por um instante. Segundo a ufologia, objetos não identificados também rondam os poços e cachoeiras da região

Quando o assunto é extraterrestre, a imagem que vem à cabeça é quase sempre a mesma: luzes misteriosas riscando o céu. Mas e se o mistério estiver justamente embaixo dos seus pés, ou melhor, embaixo da água em que você acabou de mergulhar? Pois é essa a pista que a ufologia segue quando olha para a Chapada Diamantina.

Todo mundo já ouviu falar em óvni, o objeto voador não identificado, estrela de filmes, relatos e manchetes. O que pouca gente sabe é que ele tem um parente aquático bem menos famoso: o ósni, sigla para objeto submarino não identificado. E, se depender dos ufólogos, é ele quem tem endereço marcado por aqui.

Do fundo do mar para o fundo da cachoeira

Quem organiza o assunto é o jornalista científico Roberto Pinotti, autor de Ósnis: o Enigma dos Objetos Submarinos Não Identificados. Segundo ele, esses objetos costumam se manifestar na imensidão de mares e oceanos, mas também se deixam avistar em porções de água bem menores, como rios, poços e lagos. Os relatos teriam ganhado força a partir da década de 1950, com registros na Rússia, na Suécia, nos Estados Unidos e também no Brasil.

E é aqui que a nossa região entra na conversa. A Bahia vem sendo apontada como uma das principais bases extraterrestres do país, com pontos de contato supostamente escondidos tanto no litoral quanto na Chapada Diamantina. O detalhe que chama atenção é geográfico: se o normal seria encontrar ósnis no mar aberto, o que se conta por aqui é que eles teriam trocado o oceano por poços e cachoeiras serra adentro. Um comportamento, digamos, fora do padrão da espécie.

Por que as sondas escolheriam justo as nascentes?

Uma matéria da revista Ufo publicada em 1997 arrisca uma explicação: as sondas alienígenas se interessariam pelas nascentes de rios da Chapada por causa do pouco número de moradores nos arredores e da dificuldade de chegar até elas. Discrição e sossego, ao que parece, também são requisitos para quem viaja de outra galáxia.

Nas proximidades da Cachoeira do 21, atrativo de difícil acesso no Vale do Capão, o ufólogo Paulo Gusmão acredita existir uma base alienígena, como conta em A Intervenção Extraterrestre e a Ascensão Humana. E a mesma edição da Ufo vai além, registrando relatos de objetos parecidos com pneus metálicos e de barulhos perturbadores saindo dos cânions e das serras onde nascem rios, poços e cachoeiras.

Os pontos citados formam quase um roteiro: Andaraí, Itaetê, Mucugê e Piatã estariam entre os lugares onde aparições assim já foram relatadas por topógrafos, estudiosos e moradores. Nada mau para quem só queria dar um mergulho tranquilo.

O caso do reservatório de Mucugê

O relato mais cinematográfico talvez esteja em UFO na Chapada, de Hélio Nunes de Camargo. Segundo o autor, um senhor que cuidava do reservatório de água de Mucugê viu certa vez uma luz estranha pairando sobre o rio. Em seguida, três seres de baixa estatura desceram de um objeto e se aproximaram da água. Até hoje ninguém soube dizer o que eles procuravam ali. Se era inspeção técnica ou só sede depois da viagem, ficou o mistério.

Quando a ficção mergulha junto

Os ósnis da Chapada não frequentam apenas os relatos. Eles também nadam pela ficção. No livro Contatos, de Adolfino Neto, uma menina chamada Samara, filha de um coronel, desaparece durante um mergulho e vai parar numa colônia de extraterrestres que vive sob as águas. Na mesma obra, um hippie resolve tomar banho numa cachoeira em Conceição dos Gatos e acaba se envolvendo com uma alienígena que emerge das águas. Encontros submarinos, ao que parece, dão bons romances.

E aí, coragem para o próximo mergulho?

Ósnis escondidos em nascentes, bases sob a Cachoeira do 21 e visitantes que preferem cachoeira a oceano: o cardápio de mistérios que a ufologia atribui às águas da Chapada é generoso. Nada disso, é claro, passou pelo crivo da ciência. São relatos, livros e depoimentos, e cabe a cada leitor decidir onde termina o enigma e começa a boa e velha imaginação humana.

Mas convenhamos: a água daqui é tão cristalina, tão convidativa, que até dá para entender por que alguém de muito longe cruzaria o universo só para dar um mergulho. Da próxima vez que você entrar num caldeirão do Serrano ou se refrescar no Riachinho, aproveite a temperatura perfeita. E, se sentir um toque inesperado no tornozelo, provavelmente é só um peixinho.

Provavelmente.

Fontes: livros Ósnis: o Enigma dos Objetos Submarinos Não Identificados, de Roberto Pinotti; A Intervenção Extraterrestre e a Ascensão Humana, de Paulo Gusmão; UFO na Chapada, de Hélio Nunes de Camargo (Centro Ufológico da Chapada Diamantina); Contatos, de Adolfino Neto; e revista Ufo (edição de 1997).

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