The page can’t be found.
Blog - Chapada Diamantina - Topico
Porque o Capão parece vibrar em outra frequência. Ali se concentram nascentes, cachoeiras, rios, poços profundos, cristais de quartzo emergindo do solo, plantas medicinais e extensas áreas de mata, afastadas do ruído urbano. O próprio relevo contribui para essa sensação de elevação: cercado por morros, o vale evoca uma associação ancestral entre alturas naturais, silêncio e estados de transcendência. Para muita gente, isso ultrapassa a paisagem. O ambiente convida ao recolhimento, à introspecção e a vivências que escapam do ordinário. Não por acaso, a memorialista Zenilda Pina escreveu: “O Capão é um dos maiores centros místicos do planeta Terra”.
Essa fama não vive apenas no discurso. Ela se manifesta no cotidiano. O vale concentra uma diversidade impressionante de práticas espirituais e terapias alternativas: reiki, xamanismo, astrologia, tarô, numerologia, leitura de registros akáshicos, alquimia, constelação familiar, florais de Bach. Ufa! Basta caminhar rapidamente pelo centro da vila para cruzar com alguma placa apresentando essas propostas.
As lojinhas seguem a mesma vibe: oferecem cristais, óleos essenciais, argilas, velas ritualísticas, sabonetes energéticos, incensos, mandalas, filtros dos sonhos, roupas com símbolos mágicos e diferentes tipos de oráculos. Para quem se interessa por espiritualidade alternativa, o Capão funciona quase como um laboratório a céu aberto.
Esse perfil começou a se desenhar entre as décadas de 1960 e 1970, quando o vale passou a atrair hippies e seguidores de filosofias alternativas em busca de uma vida mais simples, próxima da natureza e distante das pressões das grandes cidades. Em 1984, surgiu ali uma das primeiras comunidades alternativas da região, a Lothlorien, nome inspirado na terra dos elfos de O Senhor dos Anéis. O batismo ajudou a consolidar a imagem do Capão como um refúgio fora do tempo comum.
O passado de mineração também contribuiu para essa aura espiritual. Durante décadas, as serras do Capão foram exploradas em busca de diamantes e outras riquezas enterradas. Hoje, as pedras preciosas já não aparecem, mas os cristais continuam ali, espalhados pelo solo e pelas trilhas, alimentando novas leituras simbólicas do lugar. O famoso alquimista Paracelso defendia, por exemplo, que regiões mineradoras estariam cheias de espíritos ligados à terra.
E por falar em Paracelso, os elementais também dão as caras no Capão. O Poço do Gavião, atrativo de difícil acesso, teria sua trilha guardada por duendes capazes de confundir e atrasar viajantes. Será? Na sua próxima viagem, que tal testar as travessuras dos orelhudos verdinhos?

FONTES: livros Encontro com a Villa Bella das Palmeiras, de Zenilda Pina; Um guia para demônios, fadas, anjos caídos e outros espíritos subversivos, de Carol K. Mack e Dinah Mack; Wicca para todos, de Claudiney Prieto; Dicionário histórico das religiões, de Antonio Carlos do Amaral Azevedo; O livro dos símbolos, de Kathleen Martin; site portalvaledocapão.com.br


