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Blog - Chapada Diamantina - Topico
Há quem diga que exista uma lenda original, verdadeira e legítima sobre o grande cartão-postal da Chapada Diamantina. Mas isso é bastante problemático. Em primeiro lugar, porque nenhuma lenda é totalmente verdadeira. Se o fosse, pertenceria a outro gênero textual. Todos os relatos lendários têm por característica o exagero, o improvável e a deformação, conforme explica Luís da Câmara Cascudo no Dicionário do Folclore Brasileiro.
Além disso, não existem registros oficiais, autênticos e inquestionáveis que atestem a heroica biografia de Pai Inácio. O que é dito sobre essa figura em livros é fruto de relatos orais e (muita) imaginação de escritores.
A versão mais conhecida (contada por guias e propagada pela mídia) reproduz o clássico plot folhetinesco: o casal que se ama, mas não pode ficar junto. De acordo com essa lenda, Inácio foi um escravo que se apaixonou pela filha (ou esposa) de um altivo coronel e passou a ser perseguido por ele. Acuado em cima do morro e sem alternativas, atira-se do topo usando um guarda-chuva. Miraculosamente poupado da morte, vai embora com a sinhazinha e se livra do fazendeiro.
Outra variação da história (registrada desde 1920 pelo poeta José Moreira Pinto) diz que Inácio era um senhorzinho bem camarada: morava no pé do morro, vivia em comunhão com a natureza e ajudava viajantes perdidos. Um dia, porém, depois de uma tempestade, sua cabana ruiu e ele morreu entre os escombros. Desde então, o atrativo natural – outrora chamado Morro da Estrada – ganhou o nome de seu vizinho good vibes: Pai Inácio.
Ao longo do tempo, novas facetas do curioso personagem foram surgindo. Mirandi Alves Pereira de Oliveira deu detalhes de sua infância na obra A Sinhazinha e o Escravo. O projeto Grãos de Luz e Griô, de Lençóis, concebeu um curta-metragem no qual o jovem Inácio passa por um processo de reconhecimento identitário e se assume como Kokumo. Já o articulista espírita Isadino José dos Santos afirma que uma forte intuição o levou a escrever um romance que revela as vidas passadas de Inácio antes de sua encarnação como prisioneiro na Chapada Diamantina.
Se há alguma verdade irrefutável nessa história toda, é que Pai Inácio atende todos os gostos. Por isso, você pode acreditar na história que preferir. Ou, quem sabe, até criar a sua própria variante da lenda.

FONTES: livros Um Guia para a Chapada Diamantina, de Roy Funch; Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo; A Sinhazinha e o Escravo, de Mirandi Alves Pereira OIiveira; O Morro do Pai Inácio: Romance Espírita, de Isadino José dos Santos; vídeo A Lenda do Pai Inácio ou Kokumo, do grupo Grãos de Luz e Griô.


