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Blog - Chapada Diamantina - Topico
Em uma única palavra: trabalhosa. Os garimpos da Chapada Diamantina costumavam funcionar segundo regras próprias e hierarquias bem definidas. Alguns centros de mineração pagavam um ordenado fixo aos trabalhadores, mas ficavam com tudo o que fosse encontrado. Em outras grotas, adotava-se o sistema de porcentagem: o sujeito ganhava uma parte do que extraísse e entregava o restante ao dono da lavra. Havia ainda serras sem proprietários. No Vale do Capão, por exemplo, era comum que homens adentrassem os rios e ficassem com tudo o que conseguissem levantar. Ainda assim, era necessário recorrer a intermediários para negociar os achados. E não havia moleza em situação alguma.
Antes de se lançarem na empreitada, os trabalhadores “faziam a feira”, isto é, compravam mantimentos. E o cardápio era bem basicão: rapadura de cana-de-açúcar, carne de sol, farinha de mandioca e pó de café. As provisões precisavam ser suficientes para durar semanas.
Já na serra, acordavam muito cedo para fugir do sol forte. Um café ralo e adoçado com rapadura servia de combustível antes de seguir para o trabalho. Durante a permanência na mata, utilizavam cabanas de palha ou pequenas fendas nas rochas como abrigo.
Nas áreas de serra, escavavam e quebravam o solo em busca de diamantes. Nos leitos dos rios, desviavam o curso da água e lavavam os cascalhos com a ajuda de uma bateia. Em qualquer cenário, a tarefa era longa e exaustiva.
À noite, o retorno era para a cabana ou para a toca improvisada. Acendiam uma fogueira, vinham as conversas com os companheiros da lavra, histórias de livusias e uma cachacinha para espantar o cansaço.
Quando finalmente embamburravam (isto é, encontravam algo de grande valor) o minério era mantido junto ao próprio corpo, por medo de roubo, até a descida da serra. De volta à vila, negociavam a descoberta e o dinheiro era gasto com a família, farras ou prostitutas.
Depois de torrar a bufunfa, restava apenas uma opção: voltar à luta. E assim o ciclo se reiniciava…

FONTES: livros Guia Plantas Medicinais Chapada Diamantina, da doutora em fitoquímica Silvia Martins; Histórias de Antigamente: Cultura e Memória nas Lavras Diamantinas, da historiadora Sílvia Côrrea de Codes; dissertação de mestrado em Letras O Romance Cascalho, de Herberto Sales: um retrato do garimpo na Chapada Diamantina, de Everaldo Augusto da Silva.


